sábado, 27 de dezembro de 2008

John

Eram nove horas em ponto, faltavam cinco minutos para soar o toque de entrada. Estou sozinho no canto do corredor, excluído de todos e por todos, quando me olham comentam que sou isto e aquilo, mas um dia, um dia tudo mudará. Do outro lado do corredor está o Tom com o resto da maralha a falar sobre os meus dentes que não são alinhados, aproveitam todos os pormenores menos favoráveis do meu corpo para gozarem comigo, metem nojo, olhei-os e eles olharam-me, o Tom avançou direito a mim com ar jocoso de quem quer fazer estragos, tentei fugir mas não consegui, ele agarrou-me antes que eu pudesse fugir, fui encostado à parede, sem possibilidade alguma de escapar. "É desta", pensei, mas tive sorte, o professor de Geologia apareceu antes do primeiro murro, "Tom larga o John, agora!". O Tom esperou que o professor dobrasse a esquina para voltar a agarrar-me, "Salvo pelo Crow... Para a próxima não tens tanta sorte", ameaçou.
Assim que me largou desapareci do corredor num ápice, embora soubesse que podia retaliar não o faria, pelo menos por agora, não queria arriscar a fazê-lo, pelo menos dentro da escola.
Era altura de ir para a sala de aula, a turma estava toda sentada, sem lugar vago na fila de trás, passei pelo Tom e tropecei. Tropecei na rasteira dele, caí abruptamente e bati com a cabeça no canto da secretária da Mia Brodfoot, senti uma dor horrível no sobrolho, como se me tivessem espetado um prego quente na sobrancelha, senti o sangue escorrer pela minha fonte direita. A professora Kimberly correu até mim para me ajudar a levantar, "Não me toque!", gritei. Após levantar-me olhei nos olhos de Tom que se ria da sua proeza, tive um acesso de fúria capaz de cometer uma loucura, agarrei o Tom pelo colarinho do uniforme, "Agora vais pagá-las meu merdas!", gritei enraivecido. Nunca ninguém me tinha visto tão furioso, arrastei-o para fora da sala, à medida que o arrastava
ele pedia desculpa, mas era tarde de mais, agora era a minha vez de gozar com a cara dele. Atirei o Tom para o chão do corredor e tirei um desodorizante de spray de dentro do saco de ginástica, tirei tembém o isqueiro do bolso. "Grita seu merdas! Grita!" assim que acendi o isqueiro ele gritou, gritou ele e todas as pessoas que se encontravam no corredor.




(Escrevi isto a 23 de Junho de 2008)

2 comentários:

João disse...

Está brutal este exerto Leonor, BRUTAL

Leonor disse...

Obrigada amor da minha vida :D